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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Solidão urbana

Hoje é 3a feira e como sempre terá um programa na globo que eu gosto muito, o profissão repórter, algo que eu admiro bastante. Mas o episódio de hoje é bem diferente, pois mostra a vida de pessoas que são portadoras do vírus HIV. Assistir este programa hoje é algo que me deixará com grandes expectativas, mas nenhum pouco empolgado. Talvez por estar me sentindo um pouco triste, como fico algumas vezes ou alguns dias, mas não acredito que oque irá ser apresentado não mudará nada na minha. Por isso, não tenho pretensões, a menos que eu seja subestimado.
Mas o fato em questão não é minha inteligencia, se é que posso dizer que tenho um pouco, além de ter um pouco de vontade de pensar, perguntar, me perguntar, argumentar e novamente pensar. Mas o que quero expor é que novamente vejo a vida como uma grande solidão, que por mais que eu venha a pedir ajuda, ninguém, exatamente ninguém poderá me ajudar. Não tem dinheiro, não tem carinho, não tem amor, nem mesmo amizade que possa aliviar a minha dor.
Há 15 anos atrás eu pensava que alguém poderia me ajudar a mudar a direção da minha vida e também os meus sentimentos, eu já sabia que era homossexual, mas não tinha coragem de viver e assumir isto, nem queria contar para alguém com MEDO de ser DESPREZADO, e confiava apenas em Deus e fazia minha orações a Ele, para que pudesse mudar meu coração e meus sentimentos e atração por homens, algo que me deixava extremamente angustiado, as vezes ate com sentimento de acabar com minha própria vida, pois ao mesmo tempo que pedia a Deus, também sabia que nada ia mudar
Após 10 anos, depois de muito acreditar, resolvi desacreditar e me desliguei da religião e obviamente de Deus, e não era revolta com as pessoas, e sim com o "próprio dono da religião", pois foi com ele que eu me decepcionei. Foi quando percebi que, se ele não poderia me ajudar a mudar, ninguém poderia. E então tive que assumir e ser eu realmente. Muita coisa aconteceu, comecei a viver uma guerra interna e externa, mas logo veio a paz e então parecia que tudo ia bem, pois já que ninguém podia me ajudar, eu resolvi me afundar. Levei muito na cara, ouvi muita coisa na rua, mas passou, hoje sou respeitado, pelo menos na minha frente é assim que acontece.
Mas, não foi tão bom assim como eu gostava, namorei, amei e fui amado, e fui deixado, isso acontece com todo mundo, eu sei.
Agora, quando vejo que novamente não tem ninguém que possa me ajudar, por mais que eu tente, por mais que eu possa pagar, por mais pessoas que estejam ao meu lado, nenhuma delas poderá me ajudar. Mais uma vez sozinho, cheio de pessoas ao meu lado, porém sozinho nessa, é em mim. Está em mim, e vive enquanto eu viver, não dá pra fugir, mas desta vez não quero assumir

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Correr riscos

  Todos os dias ao levantar da cama corremos riscos, e são vários para que eu possa citá-los. Mas nesses últimos anos tenho vivido como se eu fosse um risco para a vida das pessoas. Primeiro quando descobri que era soropositivo eu separei  minha escova de dentes do banheiro, resolvi ter minhas próprias toalhas, não usava o mesmo sabonete, lavava muito bem os talheres, e procurava tomar meu cimarrãozinho sozinho, pois tudo isso me fazia sentir como colocando minha família e meus amigos em risco. Vai que o vírus resolve dar umas escapadinha de mim e ir parar em um desses lugares e pegue alguém dos meus queridos despercebidos. Claro que algumas vezes ja tive vontade que isto acontecesse com algumas pessoas, não que elas mereçam isso, eu também não mereço, mas na hora d raiva eu pensava nisso, que alguns idiótas que eu conheci nessa vida mereciam passar pelo que eu passei para ver se aprendem a viver um pouquinho. Mas ainda bem que essa vontade passava rapidamente, e isso não é mérito meu, acho que fugia do meu pensamento mesmo. Em segundo lugar também vivo desde esse tempo todo como um risco para os meus relacionamentos. Transmitir o vírus para alguem que eu esteja transando, fazendo sexo, ou, fazendo amor, amor com vírus, chocolate com pimenta. É assim que eu sempre vi tudo isso, com vontade de contar para aquela pessoa especial que eu era portador do HIV, e receber todo o apoio que eu necessitava para poder amar e ser feliz. UTOPÍA!!! Mas uma vez isso aconteceu, mas é passado.
   Minha médica sempre me disse que não sou eu o risco, mas os outros é que são (o inferno são os outros), pois eles carregam em si doenças que eu não posso ter, isso sim é um risco de vida.
   Mas onde quero chegar com tudo isso? Contar ou não contar que sou HIV+?
  O fato é que antes de alguém correr o risco de estar ao meu lado, e decidir se quer ou não quer manter um relacionamento sério comigo, eu é que CORRO RISCOS, pois contando esse alguém pode se afastar de mim e eu acabaria perdendo a oportunidade de conhecer alguém que eu poderia viver a minha vida toda ao lado, seja ela o tamanho que for.

*enfim...no meu caso paguei o preço da minha inoscencia..... .ingenuidade... e  me dei mau...alem do que alguns pré conceito...mas te falo cara de coração...hoje nao to ne ai,..so falo na doença...pra brincar dela....e os demais eu cresci..e muit....em tudo...o HIv me fez um adulto rapido...ou ele me ganhava ou ganhava eu.....ainda ta 2x1 pra mim!

Não tenho direito a escolhas, deixo o destino escolher por mim.